
Texto: Paul Hofman
Foto: Leon Hendrickx
Vídeo: Paradox Productions
Embaixador André Donker: ‘Juntos somos uma família’
Até ficou surpreso quando, no início deste ano, lhe pediram para ser um dos seis rostos de Pride Amsterdam. André (59) não hesitou e disse logo que sim. É um homem marcante, orgulhoso da sua comunidade. Também é um homem com uma missão: como embaixador da Pride Amsterdam quer desmistificar o fetiche. ‘Fetiche é muito mais.’
Fascinação
A pouca distância da Westertoren fica a loja que dirige há sete anos. Quando entro no final da manhã, ele está ocupado com um cliente. A sua loja é uma das maiores lojas fetiche do país. Clientes de todo o mundo a procuram. A loja tem três andares, onde me mostra com orgulho os muitos artigos em couro e fetiche. Como nasceu a sua fascinação pelo couro?
‘A minha fascinação pelo couro não apareceu do nada. Os meus pais tinham uma loja de artigos de couro em Gorinchem. Tinham um sortido amplo — não vendiam só malas e cintos, também jaquetas de couro bem robustas. Ainda pequeno eu já enfiava o nariz entre as roupas de couro. Cheirava tão bem.’
Robusto, excitante e sexy
Aos dezasseis foi para a escola secundária com a jaqueta de couro do pai. ‘Achei aquilo fixe e excitante. E também sexy.’ Aos vinte comprou a primeira calça de couro. A paixão por este material nunca o largou. ‘O couro é um material bonito e natural. Quanto mais o vestes, mais ganha vida. Quanto mais velho, mais bonito. Quando o uso dá-me uma certa potência. Dá-me uma presença poderosa. Pode ser o mesmo com as minhas botas de cowboy. A postura muda, fica mais sexy.’
O couro é mais do que isso
Contou que tinha vinte anos quando o seu melhor amigo o levou a uma festa do couro em Amesterdão. Foi aí que a cena do couro o conquistou. No início sentiu-se um pouco desconfortável, mas anos depois a comunidade fetiche já não tem segredos para ele. ‘Foi uma revelação. Um mundo fascinante. Não interessa quem ou o que és. A cena irradia grande calor humano. Toda a gente pertence. Há total abertura.’ Salienta que o fetiche pelo couro é uma parte importante da sua vida. ‘O couro é muito mais.’ A imagem que o público tem da cena fetiche, diz ele, está muito errada. ‘Não devia causar medo. É, antes, uma comunidade com muitos grupos: apreciadores de vinil, couro, borracha, látex, neopreno, sportwear e puppies, com muito respeito mútuo e um ambiente de proximidade.’
Preconceitos
Como embaixador da Pride, quer precisamente dissipar esses preconceitos e mostrar que o fetiche é robusto, excitante, sexy e inclusivo para todas as pessoas. Nos anos 80, quando André cresceu, a cena do couro era bem visível. Homens e mulheres andavam pela cidade em couro; homens robustos ficavam em grande número à porta dos bares na Warmoesstraat. Era uma época em que se podia ser visto na rua com o teu outfit de couro, o teu fetiche podia ser visto, havia orgulho nisso. Dava uma sensação de liberdade e triunfo.’
Abertura
Esses tempos já lá vão, salienta. ‘O mundo mudou, tornou-se mais conservador. Hoje em dia as festas fetiche muitas vezes ocorrem ainda atrás de portas fechadas. As pessoas só se trocam quando chegam ao evento.’ Lamenta isso. Ele próprio vai trabalhar vestido de couro. ‘Sou como sou. Sou muito aberto quanto às minhas preferências. Claro que às vezes recebo olhares, mas não me incomoda. Não ligo.’ O couro é a sua segunda pele, conta ele. É um material natural e excitante. ‘Pelas redes sociais há cada vez mais sobreposição.’
Conexão
Unir pessoas será a sua mensagem como embaixador. ‘Nós, com as diferentes letras LHBTIQA+, não formamos uma família?’ Visibilidade e ligação são o fio condutor para ele. ‘Mostrar que existimos e construir pontes entre os diferentes grupos da nossa comunidade.’ Aplaude que vários grandes designers de moda incluam couro e fetiche nas suas coleções. ‘É um desenvolvimento tão importante.’ O couro tem de ser aceite socialmente. Continua: ‘Vou dialogar com as pessoas, explicar como o mundo fetiche funciona.’ O desconhecimento gera rejeição — isso aplica-se aqui também. Para André, o couro é uma segunda pele. ‘Além disso: o fetiche pelo couro é mais do que sexo, é simplesmente um estilo de vida.’
Durante a Pride estará muito presente em vários eventos. Entretanto, com o seu marido Ronald e quatro coorganizadores, organiza a sétima edição do Pride at the Beach em Zandvoort. Não é apenas um defensor da cena fetiche, mas um lutador nato por toda a comunidade lhbtiq+. ‘Temos sempre de fazer isto juntos: encontrar-nos, trabalhar, festejar e, sobretudo, ser curiosos uns pelos outros.’ Mal pode esperar para desempenhar o seu papel como embaixador. E o tema TOGETHER está profundamente enraizado nas suas fibras.
Embaixadora Pride desde 2024