Texto: Paul Hofman
Foto: Rob Jacobs
Cabelo: Jean baptiste Santens
Vídeo: Paradox Productions
Boris Itzkovich Escobar (33) é mais conhecido pelo nome artístico Envy Peru. Tal como a embaixadora Paul Morris, ela é originária da América do Sul.Dragqueen,atriz, modelo e maquilhador Envy Peru foi vencedora do programa televisivo ‘Drag Race Holland’. Este ano a dragqueen brilha não só no palco como também como embaixadora da Pride 2022.
Agora que as medidas contra a covid foram levantadas, ela está mais ocupada do que nunca. É a primeira Drag Race Superstar do nosso país. É para ela uma grande honra. ‘Assim como o facto de me terem convidado para ser embaixadora da Pride.’ Como foi isso? ‘Não se torna embaixador assim por acaso. Representas a comunidade LGBTIQ+ e isso traz grandes responsabilidades. Para mim significa ser visto como um exemplo e isso é uma honra enorme. Ainda mais quando penso de onde vim.’
Latino
‘O Paul Morris e eu fomos convidados pelo Lucien Spee quando estivemos como convidados numa edição especial de ano novo dedragqueen Niki Today. O Paul e eu somos amigos muito próximos há anos e por isso ser embaixadores torna isto ainda mais especial para nós. Adoro que tenhamos pelo menos dois representantes latinos. É fantástico. Estou sinceramente grata.’
O tema é Envy vindo do coração. ‘My Gender, My Pride significa para mim que, quem quer que sejas e o que quer que faças, abraça‑te e orgulha‑te. É a liberdade de seres tu e não deixares que te coloque em caixinhas.’
Vriendinnen
Envy lembra‑se do seu primeiro Pride como se fosse ontem. ‘Tinha acabado de fazer dezenove anos. Fui com as minhas duas melhores amigas. Eu ainda estava totalmente no armário e estava muito nervosa. Lembro‑me de, numa das praças junto à Leidsestraat, ter visto Megan Schoonbrood e Sugi. Olhava para elas cheia de admiração. Na altura também não via muitasdragqueenspor aí. Foi deslumbrante.’ Que anos depois ela própria viesse a ser Envy Peru nunca passou pela sua cabeça. ‘Em nenhum momento pensei que estava a olhar para o meu futuro e que um dia eu própria faria isto.’

Diva
Como surgiu o seu nome? ‘A minha mãe ensinou‑me desde cedo a ter muito orgulho nas minhas raízes. Quando escolhi o meudragnome, quis de qualquer forma criar uma ligação ao Peru porque tenho muito orgulho na cultura de onde venho. Quero dar representação ao meu país natal que por vezes não é devidamente representado.Envy significa invejar e achar bonito. Quero dizer com isso que alguém do Peru é mais do que o estereótipo de índios pequenos, flautas de pã e lhamas. Alguém do Peru também pode ser uma belaqueen e diva.’
Comodragqueenquer ela construir pontes entre a comunidade LGBTIQ+ e o resto do mundo. ‘Posso usar a minha própria plataforma para isso. Esta comunidade tem‑me apoiado tanto ao longo dos anos. Quero retribuir e fazer algo por aqueles que tanto deram.’
Kunstvorm
Ela é, sem dúvida, um modelo para imigrantes, diz Envy. ‘Vim de muito longe. Cheguei à Holanda aos cinco anos como imigrante ilegal. Passei sete anos da minha vida em lares infantis e em famílias de acolhimento porque a minha mãe não pôde tomar conta de mim por um período.’ Aos dezoito voltou a viver com a mãe. ‘Foi então que comecei a descobrir quem eu realmente era. Com trabalho árduo e muita força de vontade podes realizar os teus sonhos num país novo. Vejo‑me como uma pessoa rica pelas experiências que vivi na juventude. Apesar de tudo mantive uma atitude positiva em relação ao futuro.’
Ela orgulha‑se da sua ‘profissão’. ‘Dragera sobretudo valorizada na nossacomunidade.Eu levo a a um público mais vasto. Sabes, ainda existem muitos preconceitos sobre a nossa forma de arte. Espero que, quando pessoas fora da nossa comunidade me vejam ou ouçam, eu consiga mudar a forma de pensar e que adragse normalize.Drag é uma forma de arte.
Como embaixadora e comodragqueen transborda ela de energia. Mas Envy tem algumas preocupações. ‘O receio é que regredamos no tempo. Acho que nós, pessoas LGBTIQ+, ainda não estamos suficientemente protegidas contra discriminação e violência. Isso tem mesmo de mudar. Tenho muita confiança na abertura da nova geração. Infelizmente eles ainda não são os líderes do futuro. Espero viver o suficiente para ver cada membro da nossacommunity comunidade poder amar em liberdade quem quiser.’
Quando lhe perguntamos quem considera o seu maior exemplo, Envy responde sem hesitar: ‘É a minha mãe. Quando me teve, muito jovem, teve de abdicar de muitas coisas para me dar um futuro melhor. Aos 24 anos, com um filho de quatro, emigrou ilegalmente para outro país. Poucos fariam o mesmo. Ela conseguiu e sou eternamente grata por isso.’’
Embaixadora da Pride desde 2022