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Inge Lamboo (ela)

Texto: Paul Hofman
Foto: Leon Hendrickx
Vídeo: Paradox Productions

A cantora e compositora Inge Lamboo: ‘Não há nada melhor do que ser a versão mais cool de si mesmo’. Pouco depois da sua atuação na festa de abertura da Pride Amsterdam, um aplauso avassalador enche a sala. A promissora Inge Lamboo (25) é adorada pelo público. É cantora e uma sensação no TikTok, onde tem quase 150.000 seguidores. Alguns minutos antes fora proclamada embaixadora. Inge está muito orgulhosa e fará a sua mensagem ouvir-se, literal e figurativamente. ‘Dou voz a diferentes sentimentos’

Lista de desejos

Ficou surpreendida por lhe terem pedido que fosse embaixadora este ano? A Inge quase nem precisa pensar para responder. ‘Para ser sincera, não. Já fazia parte da minha lista de desejos há algum tempo. Eu queria tanto’, conta ela com franqueza. Estamos num terraço banhado de sol no centro de Haarlem. A sua agenda enche-se a uma velocidade estonteante. Inge está no início de uma nova digressão.

Vulnerável

Inge cresceu com as duas irmãs e um irmão num lar acolhedor numa pequena vila perto de Haarlem. É a mais nova dos quatro. ‘Fui muito mimada. Olhando para trás, posso dizer que tive uma infância maravilhosa.’ Quando tem doze anos entra na escola secundária. Esse período acaba por correr de forma diferente do esperado. Procura-se a si mesma. Descobre que também se sente atraída por raparigas. Alguns outros acontecimentos da época fazem com que Inge entre numa depressão. ‘Cheguei a ter medo de sair de casa. Tinha dezasseis anos.’ Foi um período intenso, diz ela depois. ‘Estava muito vulnerável e guardava tudo para mim.’ Foi uma montanha-russa emocional para ela.

Hora e espaço

Este período durou dois anos. ‘Com a ajuda de uma pessoa de confiança consegui recuperar. A minha coming-out aconteceu naturalmente mais tarde. Rodeei-me de pessoas em quem confiava e com quem podia ser eu mesma.’ O seu conselho? ‘Não se apresse a sair do armário. Se lhe causar demasiada pressão, não o faça. Escolha o seu próprio momento e certifique-se de ter ao seu redor as pessoas certas que considerem isso aceitável. Dê-se tempo e espaço. Se for preciso, mesmo depois de trinta anos. Valorize também os momentos bonitos e positivos do autoconhecimento, essa é a minha mensagem.’ Entretanto, aos quinze anos Inge descobriu a música. Foi a sua salvação.

Fazer música e escrever letras é, para ela, uma vocação. ‘Vivía e respirava música. Tornou-se a minha válvula de escape.’ Inge saiu da sua zona de conforto. ‘Na altura já sabia o que queria fazer da minha vida.’ A sua guitarra significa tudo para ela. ‘Nunca tive aulas formais de música e aprendi a tocar bateria, piano e baixo sozinha. A música tornou-se o meu remédio.’ Ri-se: ‘Isto fugiu-me um bocadinho do controle.’

Pink

Depois de terminar o secundário decidiu ir para a Herman Brood Academie. Sentiu-se em casa. ‘PINK é o meu grande exemplo. As músicas dela significam muito para mim. Elas dão-me muita energia.’ Assim como PINK foi um modelo para Inge, Inge quer ser um modelo para o maior número possível de pessoas. ‘Isso é precisamente o que quero transmitir aos outros.’

PINK continua a ser a inspiração principal para Inge. Confessa: ‘Durante muito tempo tive uma conta de fã sobre a PINK. Postava covers e ligava outros fãs entre si.’ Orgulhosa: ‘A certa altura a PINK começou a seguir-me nessa conta. Era estranho, mas eu não procurei segundas intenções.’ Algum tempo depois recebeu uma proposta de contrato pela Sony Music Entertainment. Inge ficou completamente surpresa. ‘Guardei isso para mim durante bastante tempo. Primeiro queria provar-me a mim mesma. Seria muita pressão se todos soubessem logo. Claro que tenho de fazer por mim e não ficar à espera. E é muito estranho ter contacto com o seu ídolo. Muito giro.’ No ano passado Inge lançou o seu álbum de estreia Black Heart, seguido mais tarde pelo single Easy. Fica claro que Inge tem muito para oferecer. Nas suas canções pop aborda questões de saúde mental como ansiedade e desilusões amorosas.

O papel de embaixadora assenta-lhe na perfeição. Inge irradia força e positividade. A sua mensagem? ‘Quero ser, literal e figurativamente, uma voz para quem precisa. Vou inspirar pessoas, jovens e velhas.’ A Pride Amsterdam não é só uma festa, é também um protesto. ‘Isso inspira-me. Acho que já estamos quase lá. Passo muito tempo nas redes sociais e vejo, leio e ouço histórias fortes com frequência. Também insultos. Mas está a melhorar, acredita-se. A Pride é uma celebração de ser você mesmo.’

Liquidificador

Este ano ela pode ser vista em vários palcos de música pop. ‘Dou voz aos teus sentimentos.’ Parece destinada ao palco. Mas primeiro a sua nova digressão. Inge tem tudo para se tornar uma grande artista. ‘Tocar ao vivo é a minha grande paixão. Todos os estilos estão presentes na minha música. Seja country, rock ou blues, misturam-se e saem dali músicas cheias de energia e força.’ Sem dúvida que ainda vamos ouvir e ver muito dela durante e depois da Pride. ‘Estou cheia de energia.’ O seu conselho? ‘Dê tempo a si mesmo para sair do armário. Toda a gente deve poder ser a versão mais cool de si mesma.’

Embaixador da Pride desde 2024

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