
Texto: Paul Hofman
Foto: Leon Hendrickx
Vídeo: Paradox Productions
Embaixadora Karen de Lathouder: ‘Juntos é melhor do que sozinhos’ Pela primeira vez na história da Pride Amsterdam, uma executiva de topo do mundo empresarial tornou‑se embaixadora. Karen de Lathouder (46), Chief Operating Officer Assets na Eneco, aguarda com entusiasmo o seu papel como embaixadora. ‘Incrível.’ Também é notável que Karen, nascida e criada nos arredores de Roterdão, seja agora uma das faces da Pride Amsterdam este ano.
Livre
‘Curioso, na verdade’, diz ela no início da conversa. O tom fica logo definido. Abre‑se sobre a sua infância. ‘Os meus pais eram ambos médicos e tinham uma clínica em casa. Cresci com o meu irmão mais novo.’ Havia sempre algo a acontecer. De dos pais incutiram‑lhe ética de trabalho e independência desde cedo. Assim, ela ‘ajudava’ na clínica organizando cartões em ordem alfabética e, aos catorze anos, distribuía faturas. ‘Éramos uma família muito engajada socialmente, ativa e cheia de energia.’ Continua: ‘Fui criada com muita liberdade. Podia ser o que quisesse. Além disso, praticava muito desporto. Sabias que joguei andebol ao mais alto nível?’ Ela mostra‑se modesta.
Garra
Quando era miúda sonhava com o futuro. O que queria ser? Piloto, médica ou professora de educação física passavam‑lhe pela cabeça. O seu avô paterno tornou‑se o seu grande exemplo. Era engenheiro aeronáutico e gostava de bricolage e carpintaria. No liceu, a química despertou‑lhe um enorme interesse. Depois do diploma não teve de pensar muito sobre o caminho a seguir: estudou Engenharia Química na Technische Universiteit Delft. Após o doutoramento, o mundo empresarial chamou. Iniciou a carreira na Shell e seguiu para cargos de gestão na NAM, AkzoNobel e BP. ‘Um verdadeiro mundo de homens, mas nunca senti que isso me prejudicasse enquanto mulher.’ Assim, destacou‑se como uma mulher competente em plataformas offshore. Em novembro do ano passado, na Eneco, Karen foi nomeada COO Assets — um grande desafio em que passa a ser responsável por todas as turbinas a gás, moinhos de vento, parques solares e centrais biológicas. ‘Basicamente tudo o que faz com que a energia seja produzida.’
Energia
Ela entrega‑se mais de cem por cento. Na juventude descobriu que gosta de mulheres. Para os pais isso nunca foi problema. Alguma vez a sua ‘diferença’ a limitou no desenvolvimento? ‘Não. Nunca encontrei obstáculos na minha carreira por isso.’ Teve bastante sorte. Só mais tarde percebeu que era um modelo para a comunidade LGBTQIA+. ‘Sou eu mesma. Mulher e lésbica. Sou isso para empresas, trabalhadores mais jovens, mulheres e allies (aliados, PH).’ Vive com Denisha, a sua parceira. Atualmente, 1% da alta gestão identifica‑se como pessoa LGBTQIA+. Isso não chega. Ainda há muito trabalho a fazer. O papel dos allies é crucial para colmatar essa lacuna. Quando nos podemos ser a nós próprios, conseguimos dar o melhor de nós mesmos e para a empresa onde trabalhamos.’ Porque: ‘Custa imensa energia alcançar algo quando não és tu mesmo, quando não estás bem ou sentes que não pertences. Essa energia é melhor empregada em explorar outras perspetivas e ouvir‑nos mutuamente.’ Karen dedica‑se a isso de corpo e alma. Está, entre outras coisas, envolvida em redes de mulheres e LGBTQIA+ e na Foundation GEO (Gay Executive Officer). Esta última atua como plataforma onde líderes sénior LGBTQIA+ podem encontrar‑se e dialogar com allies.
Allies
O que mais quer alcançar? ‘Continuar a trabalhar na visibilidade e aceitação no mundo empresarial e manter um contacto ativo com allies nas empresas, porque eles também querem dialogar e têm perguntas.’ Olhando para trás vemos uma mulher dedicada que trabalha para criar redes, visibilidade e comunidades de aliados num ambiente dominado por homens. Com todo o empenho, Karen lutará por maior visibilidade no setor empresarial. ‘Acho que ainda há muita gente que não se sente à vontade para ser quem é no trabalho. Isso não é óbvio para todos, nem na sociedade nem nas empresas. Ainda há trabalho a fazer.’ Como pessoa, líder e embaixadora, ela pode fazer a diferença.
Diverso e inclusivo
O que significa o tema TOGETHER para si? Ela não pensa um segundo antes de responder: ‘Não nós e eles, mas juntos. Vejo a diversidade como uma força e uma oportunidade para, em conjunto, tirar o melhor uns dos outros e aprender mutuamente. Também para ultrapassar os julgamentos. Ou seja, não focar nas diferenças, mas sim nas semelhanças. Ver como nos podemos complementar.’ Visibilidade e ser você mesmo combinam‑lhe totalmente. Ela transborda energia para transmitir a sua mensagem. ‘Só quando uma empresa é diversa e inclusiva é que pode realmente brilhar,’
Embaixadora Pride desde 2024