Texto: Paul Hofman
Foto: Remon van den Kommer
Vídeo: Paradox Productions
Sem dúvida é a embaixadora da Pride com as opiniões mais marcantes. Linda de Munck (27) é multifacetada: apresentadora, escritora e, acima de tudo, influencer. Com mais de 42.000 seguidores, é um ícone e ao mesmo tempo um modelo para muitas pessoas bi(sexuais) dentro da comunidade LGBTQ+. A sua missão? ‘Tornar tudo discutível. Todos os tabus têm de desaparecer, especialmente os sobre sexo e bissexualidade.’
Numa tarde soalheira no coração da De Pijp sentamo-nos à mesa com esta ativista e feminista de corpo e alma. ‘Melhor: feminista ativista.’ É uma faladora nata que conta aberta e honestamente sobre temas que lhe tocam o coração. Assuntos do encontro: o seu papel como embaixadora, o amor, o desejo, a vida e a sua mensagem.
Nascida na Frísia, cresceu em Brabante e depois foi viver para Groningen. Depois do ensino secundário fez um curso de turismo. Passou no curso, mas transformou um hobby no seu trabalho. Em 2010 começou a fazer os seus próprios vídeos no YouTube, onde falava sem rodeios sobre sexo em todas as suas vertentes, sobre a sua vida e sobre a sua orientação.
Mostrou‑se um sucesso. ‘Gradualmente fui crescendo em número de seguidores no Instagram. Agora tenho cerca de 42.000,’ diz ela com orgulho. Muitos deles vêm de um contexto LGBTQ+. Não é de estranhar que, ao quebrar tabus, tenha ganho popularidade e sido convidada com frequência como oradora e comentadora. ‘Percebi que podia ganhar dinheiro com isso. Assim foi que me tornei empresária por acidente.’
‘Quando adolescente era uma rapariga muito alvo de bullying. Desde cedo percebi que o sexo me atraía e falava disso abertamente.’ Aos doze anos teve o primeiro orgasmo, conta ela. Foi assim que teve cedo o primeiro contacto com sexo. Na adolescência Linda era curiosa e aprendeu a conhecer‑se bem. Tornou‑se assim numa referência e fonte de perguntas. Aos quinze anos começou a fazer um vlog.

Pelos das axilas e maquilhagem
Como influencer, ela sabe como tornar o tema do sexo conversável. ‘Faço‑o de forma natural e respeitosa, sem ser vulgar.’ Sobre si mesma, Linda diz que gosta de pelo nas axilas e também de rímel. Estranho? De todo — é a minha escolha e não a permito que me seja imposta. Rebeldia descreve‑a bem. ‘Se toda a gente diz sim, eu sou quem diz não.’ Ela detesta estereótipos.
Tinha dezanove anos quando veio a público como bissexual. ‘Pensei bem nisso. Lutei com a decisão, mas não havia motivo para tanto. Para a minha família e amigos não foi problema nenhum. Quis partilhar a minha coming out nas redes sociais. De através das minhas experiências as pessoas podem aprender.’
‘Há muito mais possibilidades no campo da sexualidade. Faz parte da tua identidade. Esse tabu em torno disso e em torno de ser bi tem mesmo de ser quebrado. Como mulher tens de poder tomar as tuas próprias decisões, não só em termos de aparência, mas também em termos de sexualidade.’ À medida que envelhece aprende melhor quem é. ‘
O tema My Gender, My Pride poderia ter sido ideia dela, ri‑se. ‘Eu ligo tudo ao meu ser mulher. Mas o género é fluido, tenho orgulho de quem sou.’
Um modelo a seguir? ‘Absolutamente, também enquanto embaixadora. Muitas vezes tropeço em preconceitos. Um exemplo? Se uma mulher tem muito sexo com vários parceiros, é rotulada de slut. Mas se um rapaz faz o mesmo é aceite.’ O seu olhar diz tudo. Indignada: ‘Tão depressa te colocam numa caixinha.’ Um tema que este ano provocou muito alarido foi o comportamento transgressivo de figuras públicas como o cantor Marco Borsato, Ali B e ex‑futebolistas Marc Overmars e Winston Bogarde, artistas, futebolistas e políticos. Culpar a vítima é, para mim, repugnante. Eu própria já experienciei comportamentos transgressivos.’
Como embaixadora fará a diferença, disso não há dúvida. A sua mensagem? ‘Faço muitas coisas que não são vistas como femininas. Sou atrevida, forte, não uso soutien nem maquilhagem. Coisas de beleza não são para mim. Quero mostrar uma imagem mais diversa da feminilidade.’ Conta, no fim, que vai celebrar a Pride 2022 e ao mesmo tempo lutar. Pela aceitação e contra a ignorância de muita gente sobre a bissexualidade. E enfatiza: ‘Não tenhas medo da opinião dos outros. Defende‑te. Essa autoconfiança eu também tive de aprender. Quer queiras quer não, a Pride continua a ser muito necessária.’
Embaixadora Pride desde 2022