Fotografia: Noah Valentyn
Styling & MUAH: Sjoerd Willemsen
Entrevista: Paul Hofman
Mieke Martelhoff (71) foi durante 37 anos o rosto do famoso café feminino lésbico Vivelavie. Um café lendário onde a festa estava sempre presente. Pelo seu trabalho foi agraciada em 1999 com uma condecoração real. E agora, como coroamento do seu percurso, tornou-se embaixadora da Pride Amsterdam. Ela irradia orgulho. “No ano passado parei. Era altura de deixar o nosso bébé seguir o seu próprio caminho.”
Após a venda do seu café viveu um período menos agradável. “Não foi um momento fácil, mas agora já superei tudo.” Quando lhe pediram para ser embaixadora da Pride 2018 ficou emocionada. “Significa algo muito especial para mim.” Há mais de vinte anos esteve presente na génese da primeira Gaypride. Lembra-se como se fosse ontem. “Era tão diferente do que é agora, mas também tão bonito.”
Ela é uma tagarela que, a grande velocidade, solta anedotas uma a uma. “Um dos pontos altos foi quando eu e amigas navegámos na minha barca durante a primeira Parada de Barcos. Estávamos todas vestidas de marinheiras. Um exagero total. Ainda assim, o desfile de embarcações foi um êxito estrondoso.” Sorri ao mostrar as fotografias. “Nunca poderia ter imaginado que o Vivelavie seria um porto para tantas lésbicas e que isso aumentaria a visibilidade e aceitação.”
Quando observámos que ela própria se tornou um ícone, responde com modéstia: “Não me considero uma heroína. O que fiz pareceu-me sempre natural. Nunca pensei conscientemente em quebrar tabus, aconteceu simplesmente.” Não aponta heróis concretos, mas admira quem no passado esteve nas barricadas pelo direito a uma vida LGBTI livre, tal como a que hoje conhecemos na Holanda.
O aumento da intolerância contra a comunidade LGBTI preocupa-a. “É horrível pensar que já não se pode andar de mãos dadas pela cidade enquanto casal gay ou lésbico. A liberdade está claramente ameaçada.” Ela própria e a sua mulher sofreram discriminação. “Isso é, por dizer o mínimo, terrível.”
O seu conselho é simples: “Seja você mesmo, não tenha medo e viva como quiser.”
“APROVEITE A VIDA. É MELHOR TER VIVIDO BEM, PORQUE NO FINAL TODOS MORREMOS”
Embaixadora da Pride desde 2018
