Ir para o conteúdo

Robin Lemònt (ela/elu)

Tentamos oferecer legendas para todos os vídeos. Para este vídeo, ainda podem ser necessárias legendas ou um resumo curto. Precisa de ajuda com a acessibilidade deste conteúdo? Contacte-nos através de [email protected].

Entrevista: Paul Hofman

Youth Pride embaixador Robin Lemònt fala: ‘Positividade é tão importante’

Este ano foram nomeades embaixadorx Youth Pride da próxima Pride. Uma função que cai perfeitamente para quem nasceu e cresceu em Amsterdã. Em 2019 Robin (22) já tinha a ambição ardente de desempenhar esse papel, mas na altura não conseguiu. Recentemente Robin (as known as Mando Sitabi) conquistou finalmente o prestigiado título. ‘Quero ver mais pessoas asiáticas queer na mídia’.

A nova embaixadorx juvenil aproxima-se entusiasmade. Sorrindo: ‘Tenho mesmo uma história para contar.’ E isso não é exagero. Sobre a sua infância contam que: ‘Nasci cá. Quando tinha cinco anos a minha mãe morreu.’ Foi um acontecimento traumático. A irmã mais velha ficou responsável por elxs e obteve a tutela. ‘Temos onze anos de diferença, mas construímos um laço caloroso e forte.’ Aos sábados e domingos têm pais adotivos ‘de fim de semana’. Definem-se como não-binárie. Robin salienta que o seu género não se enquadra nas categorias binárias de homem ou mulher. Diz explicitamente que prefira que eu use os pronomes hen e deles. ‘Não sou nem homem nem mulher.’

Palco

Depois da escola primária Robin vai para a HAVO. No entanto não a conclui. Sobre esse período escolar: ‘Fiquei muito deprimide por causa da escola.’ Robin atua regularmente como drag performer. Robin Lemònt é o nome artístique. Um nome que não foi escolhido por acaso, sorri. ‘Robin não é um nome tipicamente masculino ou feminino, é essencialmente neutro em termos de género. E eu adoro amarelo, por isso Lemònt’, explica. ‘Refere-se ao limão e à lima, um pouco azedo mas muito fresco.’ ‘Como personagem drag fico na verdade bastante próxima de mim mesme: ‘Mas mais confiante.’

Após ter deixado o ensino secundário Robin começa a trabalhar. Rapidamente inicia-se como faz-tudo na discoteca Exit em Amsterdã. ‘Já conhecia o espaço porque lá ia muitas vezes quando saía à noite.’ Trabalha lá há dois anos. Está muito feliz com a flexibilização das medidas covid para a restauração. ‘É maravilhoso voltar ao trabalho. Percebo que há muito menos turistas na cidade. Mas com as pessoas que agora vêm torna-se muito fechar. Senti falta das pessoas durante o encerramento da restauração.’

Altos e baixos

Ela/Dele mostra‑se uma faladora incansável que entre comentários sérios interrompe frequentemente com uma gargalhada. Literalmente na noite antes do prazo de candidaturas para um novo embaixador terminar, decide tentar outra vez conquistar o título. ‘Estava mesmo insegure. Mas senti que estava prontx. E fui atrás.’ Agora com sucesso. Qual foi a sua reação quando soube que tinha sido escolhide embaixadorx juvenil? ‘Para mim foi o efeito uau. Um momento emocional também. Fiquei super feliz. Ao mesmo tempo um reconhecimento pelo que fiz até agora.’ Hesita por um momento: ‘Passei por muitas lutas na minha vida. Baixas profundas e grandes altas. Pensei: eu consegui.’

Robin assumiu‑se quando tinha doze anos. Relativamente cedo, digo eu. ‘Senti desde muito nova.’ A irmã e os amigos souberam antes do que elx mesme, diz. Olhando para trás: ‘O meu coming‑out foi fácil. Toda a gente aceitou completamente.’ Excepto algumas pessoas na escola, diz baixinho.

Racismo e homofobia

Regularmente Robin enfrenta comentários racistas e homofóbicos. Ainda tem isso bem presente na memória. Foi muito doloroso. ‘Eu estava tão vulnerável. Por ter pele de cor e por ser ‘transgender’ diferente dos outros tornei‑me alvo. Ainda assim tentei não ligar. Acabei por cair em depressão.’ Depois disso Robin abandona a escola rapidamente. Decide não se deixar abater e torna‑se ativo no conselho GSA (gender sexual alliance) da sua escola e no COC de Amsterdã. Os olhos iluminam‑se quando fala disso. O ativismo corre‑lhe nas veias quando Robin nota que é importante que o tema do ser diferente tenha mais espaço nas aulas. ‘Com uma hora por ano não chega. Não se começa cedo de mais, nisso acredito firmemente.’

Altura

Salienta: ‘Tenho sangue asiático em mim. Sei o que é lidar com Asian hate. Esse é um tema no qual Robin quer focar‑se durante o seu mandato como embaixador. Determinado: ‘Também não vejo suficientes queer pessoas asiáticas na mídia.’

Essa bagagem de discriminação acompanha‑o enquanto embaixador. ‘Vou trabalhar por todxs jovens LHBTI. Sei como é ser rejeitadx. Acredito que todxs têm o direito de existir. Temos de fazer isto juntos na vida.’ A sua mensagem é clara: ‘Ser como és, ser visto e celebrar a vida.’ Até final: ‘We’re one family’. Com o seu charme, alegria e mensagem séria, Robin pode fazer a diferença como embaixadorx juvenil.

Embaixador da Pride desde 2021

Foto: © Jan van Breda Photography 2021